quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Lágrimas Benditas - Mateus 5.4

Existem muitos tipos de choro, correspondentes às emoções que lhes dão origem. Há o choro do ódio, do inconformismo, do luto, do susto, da birra e tantos outros. Mas há um choro para o qual o consolo é promessa de Deus. Como aprender a chorar esse choro?

Nossa “consciência de consumidor”, em sintonia com o mercado, não sabe chorar esse choro; sabe exigir qualidade, sabe acionar o Procon. Nossos corações urbanos e “midiáticos”, bombardeados diariamente por doses maciças de violência, já não choram diante da tragédia. Nossas almas cidadãs, conduzidas à pusilanimidade por “pais” que nos provocam à ira com suas deslavadas mentiras eleitoreiras e terminam por matar nossos idosos nas filas do INSS, vertem lágrimas amargas e revoltadas. Nossos filhos, quando contrariados, choram como pivetes e sonham sair de casa.

Em todos esses casos, porém, as lágrimas benditas não são vertidas. E o consolo não lhes é garantido. Nem esperado.

Certamente, olhando para o contexto das bem-aventuranças, percebemos que este choro estará nos olhos e no coração do pobre de espírito; aquele que se vê fraco, incompetente, impotente, vulnerável e carente de Deus. Sim, ao mesmo tempo em que estende a mão para suplicar misericórdia, chora, tomado pela emoção do quebrantamento.

Quem há de herdar e povoar o reino dos céus? Certamente, por todo esse contexto, é aquele que não tem, pois há de receber; aquele que depende, pois há de ser ajudado; aquele que é fraco, porque o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza; os destituídos, pois a eles reserva-se graça; e os humildes e humilhados, de todo gênero, pois hão de ser exaltados.

Ora, se estiver correta essa interpretação, então podemos dizer que o choro bem-aventurado surge da aguda constatação da nossa fragilidade pessoal, da vulnerabilidade da nossa vida, da feiúra de nossas máscaras, da indecência da nossa vaidade e do ridículo das nossas “competências”, temporais e espirituais.

Quando digo “aguda constatação”, refiro-me a uma insuportável intensidade dessa percepção. Certamente, só tornada possível pela revelação do Espírito. Normalmente, encontrada em momentos verdadeiros de oração. O véu se retira de nossos olhos e somos “atropelados” pelo que o espelho nos mostra. O que nos resta fazer, diante dessa visão de nós mesmos, é chorar.

Sabe por que os bebês choram muito? Por que não têm recursos. Não sabem sair, por si mesmos, das situações de desconforto ou dor. São vulneráveis e dependentes. Quando crescemos, aprendemos a nos virar sozinhos. E não precisamos mais de ajuda; aprendemos a não nos colocar em situações desesperadoras. E passamos a ter vergonha de chorar, pois as lágrimas passam a denunciar nossa fraqueza. São constrangedora confissão de incompetência.

Mas quando o Espírito nos conduz à consciência da verdade sobre nós mesmos, rendemo-nos; vemos nossas forças reduzirem-se às de um bebê. E choramos. Lágrimas quentes, frágeis, dependentes, suplicantes, crédulas, esperançosas. Lágrimas que pedem misericórdia. Lágrimas libertadoras. Nesse momento sagrado, laços se rompem dentro de nós e percebemos que, por um instante, já não somos escravos das aparências, “auto-estimas” e vaidades que nos aprisionavam. Somos livres para derramar todo o nosso coração em rendição e súplica. Bem-aventurados os que choram assim, pois hão de ser consolados.

Você conhece um personagem bíblico que chorava muito? Lembro-me de um que, apesar de grandes defeitos pessoais, que o levaram a grandes pecados, tinha o coração afinado com o de Deus. Em que poderia consistir tal sintonia? Ao ponto de se dizer que era "um homem segundo o coração de Deus”? Acredito que o segredo de Davi era o dom da contrição. Ele oscilava entre o tomar as rédeas da vida nas mãos (com lamentáveis conseqüências) e entregá-las, inteiramente, a Deus, com grande choro. Veja como ele se confortava com a confiança de que Deus não o abandonaria: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51:17).

Acredito que o consolo prometido por Jesus se destina ao choro da contrição: lágrimas provenientes de nossa falência, que faz buscar misericórdia e perdão, como o ar para os pulmões.
Os que choram assim serão consolados. Porque quem vive de seus próprios recursos espirituais não precisa do vexame e da humilhação da contrição. Mas esse mesmo vive à mingua de Deus. Quem consegue se fazer sozinho não precisa de ajuda. Muito menos de consolo.

Ao homem autônomo, solitário, narcisista, melancólico e resolvido do Século XXI, a voz de Jesus convida assim: Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Fonte: www.amorese.com.br

Que Papai abençoe a todos
Missionário Adilson

LI E RECOMENDO!

Livro: Mudança para o futuro - Pia Desideria
Autor: Phillip Jcob Spener
Encontro Publicações
123 pgs

Descrição: Um dos princípios fundamentais da Reforma Protestante é que a igreja nunca pode deixar de ser uma igreja em reforma.
Ao publicar, em 1675, o agora clássico livro intitulado PIA DESIDERIA, Phillip Jacob Spener estava convocando à reforma a igreja "recém-reformada". Ele expressava, em palavras do autor, "o sincero desejo de uma reforma da igreja evangélica".

Minha opinião: Quando estava na faculdade de teologia, este foi um dos livros na área de teologia/espiritualidade/pietismo que mais me inspiraram. Por isso compartilho esta dica com vocês, crendo que também acrescentará muito à vida daquele que o quiser ler.

Que Papai abençoe a todos
Missionário Adilson

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Que Está Faltando Para Um Feliz Natal?

O tempo de quatro semanas que antecedem o Natal é conhecido na tradição cristã como advento. Advento significa vinda, chegada. Está relacionado à chegada de Deus ao mundo. Tempo determinado para a preparação da festa do nascimento de Jesus. Por falar em festa, você já foi a uma festa de aniversário onde havia muita comida, muita alegria, muita celebração, diversos presentes, música, conversa animada? É provável que sim. E, você já foi a uma festa de aniversário desse tipo onde o aniversariante estava ausente? Pois o Natal, cada vez mais, está se tornando isso: uma festa de aniversário sem o aniversariante.

Na minha história pessoal, o advento nunca significou alguma coisa. Não que o advento não signifique nada. Mas, para mim nunca significou! O comum, no mundo, é ver as pessoas agitadas em torno das arrumações de fim de ano, das festas, das compras, das ceias especiais, dos presentes, das férias, das viagens, etc... E, como eu venho de uma família que social e economicamente estava excluída desse advento de consumo e, que também não compreendia tão bem assim as questões mais religiosas do ano litúrgico, o advento e a chegada do natal eram esperança do tipo: 'este final de ano será diferente', ou, talvez apareça alguma visita inesperada ou um presente improvável... Pouco sabíamos sobre o real significado que, pelo menos no discurso, muitos cristãos ainda procuram preservar.

Apesar de tantos adventos, natais e finais de ano frustrantes, fui aprendendo que a frustração é fruto de expectativas equivocadas. Hoje, a vida sem símbolos natalinos, sem árvores de natal e luzinhas pendurados por tudo não fazem qualquer diferença. Compreendi que a grande maioria das coisas que cercam essa data não passa de ilusão para mascarar a tristeza de corações vazios. É a festa dos que celebram sem a presença da razão principal. Daqueles que celebram, comem regaladamente, soltam fogos, se abraçam... para logo depois acordar com dor de cabeça e iniciarem um novo ciclo. Continua o sentimento do 'parece que falta alguma coisa!'

O advento é espera que possui traços de comportamento próprios de uma vigília. Tempo de expectativa das comunidades cristãs (venha o teu reino) relacionada à nova vinda de Cristo, à chegada do "novo Céu e a nova terra". Não existe mais o 'menino' Jesus. Ele já nasceu! E, agora, quando Ele vier será em glória para instaurar definitivamente o reino de Deus em toda a sua plenitude! A vida cristã não se resume a ciclos. Ela é progressiva. Por isso, não aguardamos mais o Jesus 'menino', mas, o Jesus Senhor e Salvador. Não o Jesus que vai nascer, mas o Jesus que volta para consolidar o reino. Então, se apesar de toda celebração, presentes, chocolate e decoração permanecer o sentimento de 'falta alguma coisa', reflita: não estaria faltando o principal!?

Fonte: http://rodomar.blogspot.com/2009/12/o-que-esta-faltando-para-um-feliz-natal.html

Que Papai abençoe a todos
Missionário Adilson